terça-feira, 29 de maio de 2012

Estudos Culturais na voz do nordestino




Sou Sebastião da Rádia, nascido em Quixaba no interior da Paraíba, tenho 17 filho e um chamego: a comunicação. Não tenho estudo, parei na tabuada, mas de comunicação a própria vida me ensinou e também umas leitura que fiz sobre um troço chamado Estudos Culturais, que começa mais ou menos assim:

O povo lá das banda do Norte, meio metido à besta, pensava que importante mesmo era o rádio, a TV; como se esse monte de caixote com som e imagem pudesse fazer milagre. Aí, veio um povo inteligente da Escola de Birga, que tinha uns nome difíci – Rei Monde Uila, Estute Rou e Tompissom – e iniciaram uma prosa diferente, dizendo assim: o receptor também participa das construção cultural e quem tinha no entendimento que nóis era besta, tudo com a caixola igual, se enganou-se, nóis pensa diferente, porque a recepção acontece mesmo no dia-a-dia, da hora que o galo canta até a hora que a vela alumia.

Seu Barbero, cumpadre nosso aqui da parte latina das América, ouviu falar dessa milonga e mergulhou nesse açude de conhecimento. O cabra estudou muito e garantiu: o importante mesmo era o povo, as conversa jogada fora no alpendre ao pôr-do-sol, os dedo de prosa na hora do almoço, até a conversa fiada do vendedor de pássaro na feira. Onde fosse, no trabalho, dentro de casa, no meio da rua, nas brincadeira de criança, nas festa da padroeira,. Ele não dava nem cabimento pros miolo de pote que os meios de comunicação pronunciava.

Mas tá! O leriado era bonito, só que, por meado das década de 90, Seu Barbero mudou um pouco as ideia. Parece que andou assistindo as história de polícia pegando bandido, de doutor curando doença impossível que os estrangeiro das banda de cima mandava passar na televisão, e se apercebeu que esse negócio mexia com o miolo do povo daqui. É tanto que aquelas coisa que era pecado grave, que nem uma carreira de Ave Maria perdoava, o povo começaro a aceitar – separação de casal ajuntado e até homem baitola parecia normal. Nem os governante aguentaram, se renderam, meu cumpadre, e decidiu separar: pecado é pecado, governo é governo.

Foi assim que Seu Barbero chegou à decisão: os meios era forte quinem ovo de pata e touro brabo na vida do nosso povo. Sabe por quê? Porque eles tinha a capacidade de espiar longe, além dos nosso costume. Aí pronto, com a chegada do computador, Cumpadre Barbero pensou numa história de “mediações comunicativas da cultura”, que juntava num balaio só a tecnicidade, institucionalidade, sociabilidade e ritualidade- esse palavreado bonito no fim das conta queria dizer que o comunicativo tá tomando conta de tudo. Porque a vida na ficção parece ser mais real. Do mesmo jeitinho que é na janela da fofoqueira, a vida minha e a dos outro passa na TV, me sento na cadeira de balanço e assisto até dar a hora de dormir, porque no outro dia tem que ter assunto pra conversa no mercado com Seu Dijaí.


A prosa mudou mesmo. Esse povo estudado reconheceu que a comunicação mediava todos os lados, empestava tudo, todas as formas de vida cultural e social do nosso povo. Seu Barbero deve ter passado as noite de sono à luz do lampião com os olho abuticado, matutando, buscando uma luz mais forte que refletisse melhor o que realmente se assucedia nos meios de comunicação. Não era só contar carneirinho e criar uma teoria: todo carneiro que pulasse a cerca tinha que chegar do outro lado sem queda, sem ficar preso, sem falha. Esse era o leriado do povo do Norte, que estudava pra que a comunicação fosse perfeita como uma tabuada. Seu Barbero já sabia que essa conta não dava certo, o negócio era mais enrolado, era um tal de ecossistema comunicativo e não só carneiro.

Mas quer saber? O mais bonito dessa história toda é que nóis tem voz, num sabe? Aqui da minha rádio comunitária, vou falando dos acontecido da cidade e dos sítio vizinho. O nome da rádio é Pau de Fuxico, porque o povo aproveita pra mandar recado: Seu Fulano, sua mulher manda avisar que sua fia acaba de dar à luz um bruguelinho de 2 quilo e meio, o menino tá com saúde e sua fia passa bem.


No final dessa prosa, a gente deu fé que a comunicação é nosso cotidiano cagado e cuspido. É um forró pé de serra, fogueira de São João, milho e balão, um repentista que canta, um cabritinho que berra, zoada no mei da feira, uma ciranda, pula corda e um toca, um balai de alpercata, porca gorda no chiqueiro, um vaqueiro aboiador. É a gente por dentro e por fora, merminho, sem tirar nem pôr. É o galo que canta, a flor de mandacaru que brota, a chuva que não vem e o sol que não vai, a poeira comendo e a sanfona tocando, é uma fala arrastada, uma mesa farta de buchada e cuscuz que Quinzinha preparou. É nóis assim purim na TV, às vezes pra vender o que a gente nunca comprou.



Dicionário nordestino
Troço: uma coisa/ Metido à besta: arrogante/ Escola de Birga: Escola de Birmingham/ Rei Monde Uila: Raymond Williams/ Estute Rou: Stuart Hall/ Tompissom: Thompson/ Prosa: conversa/ Caixola: cabeça, mente/ Alumia: ilumina/ Milonga: conversa inútil/ Açude: represa/ Cabra: homem/ Cabimento: importância/ Miolo de pote: bobagens/ Leriado: conversa/ Empestar: tomar conta/ Abuticado: bem abertos/ Matutar: pensar/ Assuceder: acontecer/ Bruguelinho: menininho/ Dar fé: perceber/ Zoada: barulho/ Toca: pega-pega/ Alpercata: chinelo/ Purim: purinho.

Referências
ESTUDOS CULTURAIS. Disponível em: www.infoescola.com/sociologia/estudos-culturais/
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Globalização comunicacional e transformação cultural. In: MORAES, Dênis de (org.). Por uma outra comunicação: mídia, mundialização cultural e poder.
MATTELART, Armand e Michele. História das teorias da comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.

Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

Indústria Cultural na voz da empreguete




Eu tava aqui fazendo meu trabalho como todo dia, varrendo a cozinha, colhendo feijão e, claro, ouvindo o meu Michel Teló no radinho, que é meu companheiro de todas as horas, quando comecei a ouvir uma entrevista muito interessante sobre um negócio chamado Indústria Cultural que me fez entender uma porção de coisa. Essa tal indústria explica porque todo mundo, às vezes, parece meio igual, vestindo as mesmas roupinhas de marca, frequentando os mesmos lugares, ouvindo as mesmas músicas e seguindo um padrão que só ensina a comprar mais e mais. Essa indústria faz o povo de besta, porque ela vende um produto que parece novo, mas na verdade tem sempre a mesma forma; é igual aqueles carros do ano, os fabricantes mudam uma coisinha aqui outra ali e dizem que é um carro novo, quando na verdade continua a mesma coisa.
Pode ver, as pessoas só querem saber de gastar dinheiro hoje em dia. Tudo virou mercadoria, até a cultura. Imagina, nem que eu quisesse poderia gastar assim a perder de vista. Eu dou duro o mês todinho, chego cedo e saio tarde e, quando recebo meu salário, mal dá pra pagar as prestações. Essa vida não é fácil!! E como eu não tô fazendo sucesso como as empreguetes da novela das sete, que fizeram um vídeo que bombou na internet, eu tenho que ralar atrás do meu dinheirinho suado. Isso aí é coisa que só acontece em novela. Na vida real é bem diferente. Pode perguntar aí pra qualquer um, a vida não dá moleza!
A minha vizinha, a Claudete tá afundada em dívidas. Cada dia tá com um sapato novo, uma roupa nova. Não quer nem saber. Ela gasta como rica. Eu já tentei falar pra ela que tem que parar de fazer conta, mas não adianta, ela vê na propaganda a atriz famosa usando uma blusa bonita e quer uma igualzinha, que custa os olhos da cara.
Eu tenho é dó! No fundo, a Claudete acha que comprando uma blusa igual a da tevê, ela vai ficar bonita e famosa como a atriz. E é isso que falava no rádio, um tal de Adorno e um tal de Horkheimer estudaram sobre essa indústria cultural e perceberam que ela engana as pessoas, promete uma coisa e vende outra. E no final das contas os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres e ignorantes. As pessoas sentam na frente da TV e ficam hipnotizadas, não questionam mais sobre nada. É uma absurdo!
O meu radialista favorito, Roberto Junior, falou que essa tal indústria aí foi criada pela sociedade capitalista que só quer saber de manipular as pessoas e vender, vender e vender. Ele explicou que a Indústria Cultural surgiu como principal ícone da Teoria Crítica, inventada pelos pensadores da Escola de Frankfurt. O tal Adorno e o tal Horkheimer participaram da construção dessa teoria. Eles estudavam os efeitos dos meios de comunicação e tentavam entender os resultados da industrialização e da tecnologia na sociedade. Eles diziam que os meios de comunicação manipulam e enganam as pessoas e são apenas instrumentos de controle do pensamento coletivo. O Roberto Junior sabe um montão de coisas, é por isso que eu adoro ele!


Depois que eu ouvi aquela entrevista fiquei sabendo que a Indústria Cultural impede que as pessoas sejam autônomas e julguem conscientemente. E isso é a mais pura verdade! Pode ver,  todo mundo fica abestado com aquele programa Big Brother Brasil, não é mesmo? Minha cunhada fica ligando pra lá pra eliminar um candidato e no final do mês a conta de telefone dela tá pela hora da morte. E aquilo lá é tudo armado. Mas o problema é que o povo é muito ingênuo, cai na conversa desse pessoal da TV, não consegue mais raciocinar direito e acaba dançando conforme a música do mercado.
Mas agora chega de papo que eu tenho que voltar pro meu serviço, deixei o feijão cozinhando e tenho que voltar lá porque eu não posso perder de ouvir aquela música do meu ídolo: “Amar não é pecado”.

Referências
RUDIGER, Francisco. As Teorias da Comunicação. Bookman, 2011.
MATTELART, Armand e Michele. História das teorias da Comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.


Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Indústria Cultural na voz de Luan Santana



Consumir Não É Pecado


Eu não sei, de onde vem
Essa coisa que me leva a comprar
Eu só sei que quero ter
Mas confesso que no fundo alucinei
Tive incentivo, bestificado
Guardei o raciocinio e me sabotei
Mas agora, é a hora
Eu vou comprar tudo o que quiser de uma vez

Eu tô alienado
Eu tô comprando tudo
E não tô nem ligando se vou ou não pagar
comprar não é pecado
E se eu ficar quebrado
Que se dane o mundo
Eu tenho a TV

Ohh


Paródia da música: Amar não é pecado de Luan Santana
http://www.youtube.com/watch?v=eh8BjLOfYyc


Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Teoria Matemática da Informação na voz do adolescente

      Pô mano, as coisas com a Paty estão difíceis. Eu gosto muito dela, sabe? Tá na cara, né? Até aceitei esse lance de namoro e tal. Ela já veio aqui em casa, conheceu a minha véia e eu já conheci os pais dela também. Tudo certinho! Tava indo tudo bem, mas aí a gente se desentendeu feio. E não tinha como ser diferente mesmo, porque eu digo uma coisa e ela entende outra. Distorce tudo o que eu falo. Como que pode? Eu fico de cara.


       Eu tô pensando em trocar uma ideia com os professores Weaver e Shannon, tá ligado? Eles tão bolando uma teoria de comunicação que evita ruídos, é tipo uma equação matemática que faz com que a comunicação seja exata, sem falha nenhuma. É disso que eu preciso, cara, porque não tá fácil, eu digo X e a Paty entende Y. Eu fico bolado com isso.


        Outro dia eu falei pra ela que a gente não ia poder se ver e ela já foi dizendo que eu tava estranho, que eu não gostava mais dela e tudo mais. Cara, de onde ela tirou isso? Aí depois ela twittou que homem é tudo igual, um bando de insensível. Vê se pode! Eu não sei o que fazer pra dar um jeito nisso. 



      Se os profes com aquele papo de que a transmissão da informação precisa de fonte, mensagem, codificador, canal, decodificador e destinatário não conseguirem me ajudar, não sei se vai dar pra aguentar esse namoro. A Paty precisa parar de decodificar minhas mensagens do jeito que ela bem entende porque senão esse namoro estará com os dias contados.




     É isso, brother! Falou!

Referências
RUDIGER, Francisco. As Teorias da Comunicação. Bookman, 2011.
Teoria Matemática da Informação e Adolescência.
Disponível em: http://people.ufpr.br/~firk/pessoal/Tese/capitulos/12Cap4.pdf

Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

terça-feira, 22 de maio de 2012

A agulha hipodérmica e o Estrutural-Funcionalismo na voz do feirante





A banana é 3 real, Dona, tá bem madurinha. Vai levar hoje?
Dona Severina, chegou sua beterraba, melhor remédio pra anemia. Leve pro seu marido, mulher. 
A promoção hoje ninguém pode perder! Uva, maça e morango sem agrotóxico a preço de banana. Moça bonita não paga, mas também não leva.


Ave Maria, o dia inteiro aqui gritando e não vendi nada. Esse povo não cai mais na conversa de vendedor, não. O dono da venda, Seu Lassuel, me disse que era fácil, não tinha segredo, não, se a gente falasse igual ao rádio ou à televisão era batata, vendia tudo. Ainda me ensinou uma formulinha: quem diz o quê, por que meio, a quem e com que efeitos. Assim era bom demais: Eu, Antônio de Souza Silva, digo que tem promoção por meio da minha voz ao povo que passa aqui pelo centro no dia de domingo pra poder vender.

Quem vai querer? A laranja tá docinha feito mel!


Seu Lassuel aprendeu essas lição aí na política, lá pras época de 30...40. Ele percebeu que funcionava, quando os político falava bonito no rádio, todo mundo acreditava e nem sempre era verdade. Ele fez uns estudo importante e, no fim das conta, parece que todo mundo é mesmo manipulado. Sei não, tenho é medo dessas coisa, parece que todo mundo tomou uma injeção pra pensar tudo igual e só dizer “Sim” pra tudo que eles mandam fazer.

Será Dona Maria que a senhora é igualzinha a Seu Zé, tudo massa do bolo de Pavlov?
A farinha hoje tá boa, vai levar?

 

Seu Lazarsfeld, dono da venda aqui do lado, disse pra mim que a coisa funciona diferente. Ele andou fazendo uma tal de pesquisa administrativa e entendeu que quanto mais comunicação, mais disfunção, o povo fica indiferente à mensagem, aí não adianta gritar mais alto: Olha o leite fresquinho. O negócio é o seguinte: cada grupo tem seu líder de opinião, aquela pessoa que influencia a decisão de todo mundo, então quem manda mesmo não é a televisão ou o rádio, é o médico da família, o padre, o chefe.
Quer saber? Acho que vou pedir um emprego na venda de Seu Lazarsfeld, porque do jeito que vai aqui, essa comunicação vai falir.

Referências
MATTELART, Armand e Michele. História das teorias da comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
WOLF, Mauro. Teoria das comunicações de massa. São Paulo: Martins Fontes, 2005.


Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

sábado, 19 de maio de 2012

Teoria para nossa alegria


 

  É inexplicável o sucesso do vídeo “Para nossa alegria”. Depois de milhões de visualizações e compartilhamentos na internet, seus personagens estão em jogos, em programas de TV, têm fã clube e agora se preparam para gravar um CD, embora seu talento vocal seja bastante questionável.

Os fenômenos de comunicação são muitas vezes incompreensíveis, mas os sociólogos, antropólogos, psicólogos e tantos outros “ólogos” tentam há muito desvendá-los e explicá-los através de teorias interessantes, porém um tanto assustadoras em suas apresentações.

   Para torná-las mais claras e acessíveis, resolvemos apresentá-las numa linguagem popular e através das experiências de diversos personagens do nosso povo que, com talento inquestionável, trazem as teorias de maneira simples e informal. Na voz do adolescente, do feirante, da empregada doméstica, do nordestino e do sambista, os estudos de comunicação fazem sucesso para nossa alegria.


Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva