terça-feira, 29 de maio de 2012

Indústria Cultural na voz da empreguete




Eu tava aqui fazendo meu trabalho como todo dia, varrendo a cozinha, colhendo feijão e, claro, ouvindo o meu Michel Teló no radinho, que é meu companheiro de todas as horas, quando comecei a ouvir uma entrevista muito interessante sobre um negócio chamado Indústria Cultural que me fez entender uma porção de coisa. Essa tal indústria explica porque todo mundo, às vezes, parece meio igual, vestindo as mesmas roupinhas de marca, frequentando os mesmos lugares, ouvindo as mesmas músicas e seguindo um padrão que só ensina a comprar mais e mais. Essa indústria faz o povo de besta, porque ela vende um produto que parece novo, mas na verdade tem sempre a mesma forma; é igual aqueles carros do ano, os fabricantes mudam uma coisinha aqui outra ali e dizem que é um carro novo, quando na verdade continua a mesma coisa.
Pode ver, as pessoas só querem saber de gastar dinheiro hoje em dia. Tudo virou mercadoria, até a cultura. Imagina, nem que eu quisesse poderia gastar assim a perder de vista. Eu dou duro o mês todinho, chego cedo e saio tarde e, quando recebo meu salário, mal dá pra pagar as prestações. Essa vida não é fácil!! E como eu não tô fazendo sucesso como as empreguetes da novela das sete, que fizeram um vídeo que bombou na internet, eu tenho que ralar atrás do meu dinheirinho suado. Isso aí é coisa que só acontece em novela. Na vida real é bem diferente. Pode perguntar aí pra qualquer um, a vida não dá moleza!
A minha vizinha, a Claudete tá afundada em dívidas. Cada dia tá com um sapato novo, uma roupa nova. Não quer nem saber. Ela gasta como rica. Eu já tentei falar pra ela que tem que parar de fazer conta, mas não adianta, ela vê na propaganda a atriz famosa usando uma blusa bonita e quer uma igualzinha, que custa os olhos da cara.
Eu tenho é dó! No fundo, a Claudete acha que comprando uma blusa igual a da tevê, ela vai ficar bonita e famosa como a atriz. E é isso que falava no rádio, um tal de Adorno e um tal de Horkheimer estudaram sobre essa indústria cultural e perceberam que ela engana as pessoas, promete uma coisa e vende outra. E no final das contas os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres e ignorantes. As pessoas sentam na frente da TV e ficam hipnotizadas, não questionam mais sobre nada. É uma absurdo!
O meu radialista favorito, Roberto Junior, falou que essa tal indústria aí foi criada pela sociedade capitalista que só quer saber de manipular as pessoas e vender, vender e vender. Ele explicou que a Indústria Cultural surgiu como principal ícone da Teoria Crítica, inventada pelos pensadores da Escola de Frankfurt. O tal Adorno e o tal Horkheimer participaram da construção dessa teoria. Eles estudavam os efeitos dos meios de comunicação e tentavam entender os resultados da industrialização e da tecnologia na sociedade. Eles diziam que os meios de comunicação manipulam e enganam as pessoas e são apenas instrumentos de controle do pensamento coletivo. O Roberto Junior sabe um montão de coisas, é por isso que eu adoro ele!


Depois que eu ouvi aquela entrevista fiquei sabendo que a Indústria Cultural impede que as pessoas sejam autônomas e julguem conscientemente. E isso é a mais pura verdade! Pode ver,  todo mundo fica abestado com aquele programa Big Brother Brasil, não é mesmo? Minha cunhada fica ligando pra lá pra eliminar um candidato e no final do mês a conta de telefone dela tá pela hora da morte. E aquilo lá é tudo armado. Mas o problema é que o povo é muito ingênuo, cai na conversa desse pessoal da TV, não consegue mais raciocinar direito e acaba dançando conforme a música do mercado.
Mas agora chega de papo que eu tenho que voltar pro meu serviço, deixei o feijão cozinhando e tenho que voltar lá porque eu não posso perder de ouvir aquela música do meu ídolo: “Amar não é pecado”.

Referências
RUDIGER, Francisco. As Teorias da Comunicação. Bookman, 2011.
MATTELART, Armand e Michele. História das teorias da Comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.


Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

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