Eu
tava aqui fazendo meu trabalho como todo dia, varrendo a cozinha, colhendo
feijão e, claro, ouvindo o meu Michel Teló no radinho, que é meu companheiro de
todas as horas, quando comecei a ouvir uma entrevista muito interessante sobre
um negócio chamado Indústria Cultural que me fez entender uma porção de
coisa. Essa tal indústria explica porque todo mundo, às vezes, parece meio igual, vestindo as mesmas roupinhas de marca, frequentando os mesmos
lugares, ouvindo as mesmas músicas e seguindo um padrão que só ensina a comprar
mais e mais. Essa indústria faz o povo de besta, porque ela vende um produto que
parece novo, mas na verdade tem sempre a mesma forma; é igual aqueles carros do
ano, os fabricantes mudam uma coisinha aqui outra ali e dizem que é um carro
novo, quando na verdade continua a mesma coisa.
Pode
ver, as pessoas só querem saber de gastar dinheiro hoje em dia. Tudo virou
mercadoria, até a cultura. Imagina, nem que eu quisesse poderia
gastar assim a perder de vista. Eu dou duro o mês todinho, chego cedo
e saio tarde e, quando recebo meu
salário, mal dá pra pagar as prestações. Essa vida não é fácil!! E como eu não
tô fazendo sucesso como as empreguetes da novela das sete, que fizeram um vídeo
que bombou na internet, eu tenho que ralar atrás do
meu dinheirinho suado. Isso aí é coisa que só acontece em novela. Na vida real
é bem diferente. Pode perguntar aí pra qualquer um, a vida não dá moleza!
A
minha vizinha, a Claudete tá afundada em dívidas. Cada dia tá com um sapato
novo, uma roupa nova. Não quer nem saber. Ela gasta como rica. Eu já tentei
falar pra ela que tem que parar de fazer conta, mas não
adianta, ela vê na propaganda a atriz famosa usando uma blusa bonita e quer uma
igualzinha, que custa os olhos da cara.
Eu tenho é dó! No fundo, a Claudete acha que comprando uma blusa
igual a da tevê, ela vai ficar bonita e famosa como a atriz. E é isso que falava
no rádio, um tal de Adorno e um tal de Horkheimer estudaram sobre essa
indústria cultural e perceberam que ela engana as pessoas, promete uma coisa e
vende outra. E no final das contas os ricos ficam mais ricos e os pobres mais
pobres e ignorantes. As pessoas sentam na frente da TV e ficam hipnotizadas, não
questionam mais sobre nada. É uma absurdo!
O
meu radialista favorito, Roberto Junior, falou que essa tal indústria aí foi
criada pela sociedade capitalista que só quer saber de manipular as pessoas e
vender, vender e vender. Ele explicou que a Indústria Cultural surgiu como
principal ícone da Teoria Crítica, inventada pelos pensadores da Escola de
Frankfurt. O tal Adorno e o tal Horkheimer participaram da construção
dessa teoria. Eles estudavam os efeitos dos meios de comunicação e tentavam
entender os resultados da industrialização e da tecnologia na sociedade. Eles
diziam que os meios de comunicação manipulam e enganam as pessoas e são apenas
instrumentos de controle do pensamento coletivo. O Roberto Junior sabe um
montão de coisas, é por isso que eu adoro ele!
Depois
que eu ouvi aquela entrevista fiquei sabendo que a Indústria Cultural impede
que as pessoas sejam autônomas e julguem conscientemente. E isso é a mais pura
verdade! Pode ver, todo mundo fica abestado com aquele programa Big
Brother Brasil, não é mesmo? Minha cunhada fica ligando pra lá pra eliminar um
candidato e no final do mês a conta de telefone dela tá pela hora da morte. E
aquilo lá é tudo armado. Mas o problema é que o povo é muito ingênuo, cai na conversa
desse pessoal da TV, não consegue mais raciocinar direito e acaba dançando
conforme a música do mercado.
Mas
agora chega de papo que eu tenho que voltar pro meu serviço, deixei o feijão
cozinhando e tenho que voltar lá porque eu não posso perder de ouvir aquela
música do meu ídolo: “Amar não é pecado”.
Referências
RUDIGER, Francisco. As Teorias da Comunicação. Bookman, 2011.
MATTELART, Armand e Michele. História das teorias da Comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva
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