terça-feira, 22 de maio de 2012

A agulha hipodérmica e o Estrutural-Funcionalismo na voz do feirante





A banana é 3 real, Dona, tá bem madurinha. Vai levar hoje?
Dona Severina, chegou sua beterraba, melhor remédio pra anemia. Leve pro seu marido, mulher. 
A promoção hoje ninguém pode perder! Uva, maça e morango sem agrotóxico a preço de banana. Moça bonita não paga, mas também não leva.


Ave Maria, o dia inteiro aqui gritando e não vendi nada. Esse povo não cai mais na conversa de vendedor, não. O dono da venda, Seu Lassuel, me disse que era fácil, não tinha segredo, não, se a gente falasse igual ao rádio ou à televisão era batata, vendia tudo. Ainda me ensinou uma formulinha: quem diz o quê, por que meio, a quem e com que efeitos. Assim era bom demais: Eu, Antônio de Souza Silva, digo que tem promoção por meio da minha voz ao povo que passa aqui pelo centro no dia de domingo pra poder vender.

Quem vai querer? A laranja tá docinha feito mel!


Seu Lassuel aprendeu essas lição aí na política, lá pras época de 30...40. Ele percebeu que funcionava, quando os político falava bonito no rádio, todo mundo acreditava e nem sempre era verdade. Ele fez uns estudo importante e, no fim das conta, parece que todo mundo é mesmo manipulado. Sei não, tenho é medo dessas coisa, parece que todo mundo tomou uma injeção pra pensar tudo igual e só dizer “Sim” pra tudo que eles mandam fazer.

Será Dona Maria que a senhora é igualzinha a Seu Zé, tudo massa do bolo de Pavlov?
A farinha hoje tá boa, vai levar?

 

Seu Lazarsfeld, dono da venda aqui do lado, disse pra mim que a coisa funciona diferente. Ele andou fazendo uma tal de pesquisa administrativa e entendeu que quanto mais comunicação, mais disfunção, o povo fica indiferente à mensagem, aí não adianta gritar mais alto: Olha o leite fresquinho. O negócio é o seguinte: cada grupo tem seu líder de opinião, aquela pessoa que influencia a decisão de todo mundo, então quem manda mesmo não é a televisão ou o rádio, é o médico da família, o padre, o chefe.
Quer saber? Acho que vou pedir um emprego na venda de Seu Lazarsfeld, porque do jeito que vai aqui, essa comunicação vai falir.

Referências
MATTELART, Armand e Michele. História das teorias da comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
WOLF, Mauro. Teoria das comunicações de massa. São Paulo: Martins Fontes, 2005.


Produzido por: Ana Flávia Camboim, Giovana Gulin e Erika Silva

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